Uma pequena aula de áudio

grave-medio-agudoCOMO É BOM OUVIR SONS LIMPOS E DEFINIDOS !!!

Aonde está o segredo? Na qualidade da mecânica auditiva.
A mecânica auditiva é chata, mas o que ouvimos é apenas o deslocamento mecânico do ar.
O som caminha pelo ar a 331,45 m/s a 0 graus.
E essa velocidade muda para 346,3 m/s em 25 graus.
Ou seja, quanto mais frio, mais surdo a gente fica.
E o nosso corpo responde de maneira diferente a cada tipo de frequência.
Por exemplo, os nossos pés por estarem em contato com o chão, são os  que mais sentem o chão tremer com os graves.
Por isso que as caixas graves normalmente sempre ficam mais perto do chão e por aí vai.
Mas aí vem outro problema, a potência para deslocar o som e suas frequências.
Lembrando que se uma bola pula 1 vez por segundo, essa bola gera uma frequência de 1hz.
Ou seja, hz é a quantidade de vezes que um alto-falante ou microfone deve vibrar por segundo.
10Kz, quer dizer que o alto-falante deve vibrar 10.000 vezes por segundo.

VEJA UMA TABELA BÁSICA DE POTÊNCIA PARA VOCÊ OUVIR UM SOM CORRETO:
frequencias– 1000 wats para os graves
– 250 wats para os médios
– 50 wats para os agudos

Percebeu a diferença?
Como os graves são ondas mais compridas e mais lentas, necessitam de mais potência para gerar o deslocamento de ar.
Você já viu um cone de alto-falante balançar, e se viu, é o som grave. O movimento dos agudos os seus olhos não tem velocidade para captá-los. Hoje o curto entre sensação de grave usado nos filmes aonde treme tudo, e o grave do áudio de uma música, a diferença é forte como água e vinho. Mas tem muito estúdio de áudio que ao invés de ter uma caixa com auto-falantes de 12 ou mais polegadas devido o deslocamento do ar, usam um Sub e acham que estão ouvindo grave, mas na realidade estão apenas sentindo a vibração do grave.
Estão mixando um áudio para DVD e não CD. Pode dar certo?
Dependerá da frequência de corte do sub, da sala e da correção final desse “erro”.

ENTÃO QUAL A MELHOR CAIXA DE SOM? DVD OU CD ?

Se vc gosta de ver e quer sentir o DVD, use um SUB de 15″ e indireto, ou seja, com a som virado para a parede.
E mais as 5 caixinhas simples que tocam médios e agudos apenas para te dar a sensação de local.
Quando explodir uma bomba no DVD e se a sua janela tremer… perfeito!!!
E quando a mocinha beijar o herói, se você ouvir o estalido da boca e a respiração apaixonada… perfeito!!!
Sua sala está calibrada… MAS PARA DVD.

Mas se você gosta de música, como já disse, devido o deslocamento de ar pesado dos graves,
use caixas com alto-falantes grandes para os graves, outra menor para médios e bem mais pequena para os agudos.
A potência sonora que vai alimentar essa caixa, deve passar por um crossover. (Tabela de potência citada acima)
O crossover é um equipamento que apenas irá dividir a potência que chega, para os graves, médios e agudos.
Esse crossover pode ser ativo usado antes do amplificador, ou passivo quando é colocado dentro das caixas.
Seu uso é obrigatório, ou o seu auto falante de agudo queimará ao receber 1000 wats enquanto ele só precisava de 50.
Não recomendo o uso de caixas pequenas que possuem suspensão acústica para ser a caixa dos graves.
A suspensão deixa o cone mais solto e deslocando mais ar e mais grave.
Mas como o auto falante é pequeno, a área de impacto será mais centrada e menor.
Lógico que terá frequências bem graves, com grande volume de ar, que essa caixa não conseguirá mecanicamente tocar.
Mas ela é muito usada nos estúdios e o melhor som dela é apenas para quem está sentado bem a sua frente.

A pergunta mais comum que ouço é:
NETTO, QUAL A MELHOR CAIXA PARA MIXAR? 

A resposta é simples: NÃO USE CAIXA, E SIM, UM ÓTIMO E CARO FONE DE OUVIDO, E JÁ COMPRE 2 E SE CASE COM ELES.
Pois toda mixagem deve ser feita com fones de ouvidos. Por que?
Como o fone vai direto no ouvido, ele evita o erro que caixa acústica e a mecânica do deslocamento do ar provocam na sala.
Que acaba influenciando nas frequências, equalizações e compressões finais.
Mas para usar o fone é simples, só tem 3 regras básicas.
1 – Compre 2 fones iguais, pois ele sempre vai estragar no meio da mixagem que é para amanhã cedo.
2 – Se acostume com a resposta e os limites de graves, médios e agudos que ele responde.
Use ele até deixar isso bem claro nos seus ouvidos, só depois comece a mixar com eles.
Tenha várias músicas de referências e sempre compare as frequências com a sua mix.
Nunca compare volume, pois uma sinfônica nunca terá o peso de um sertanejo.
Mas ambas deveram ter todas as frequências bem captadas e no lugar certo.
3 – Sempre, sempre use um analisador de espectro de áudio, um vu de precisão e aprenda a ver as mudanças.

 

MAS MINHA SALA PERFEITA É PERFEITA…
GASTEI 9.999.999,99 REAIS NO PROJETO FEITO NO EUA NA JBL !!!

Desculpe, mas sala perfeita não existe e a resposta é simples.
Pois toda a pessoa que entrar na sala, já muda o deslocamento do ar, logo, muda a resposta mecânica da sala.
Lembre, estou falando em deslocamento de ar sonoro, ele bate, reflete, amortece ou soma.
O projeto da sala pode evitar e focar esses deslocamentos de ar, mas perfeita?
Não existirá sala perfeita enquanto um cara ficar andando de um lado para o outro, preocupado com a sua mix …
Sem contar os amigos, a namorada.. namorado… quer que eu continue?
Pois até o material da roupa do técnico, mesmo que seja só ele, o som muda entre inverno e verão.
Projeto acústico então não vale a pena? Vale, ajuda, melhora, mas não coloque toda a sua confiança apenas nele.
E lembrando que todo o projeto acústico é baseado em potência sonora, ou seja, toda a sala tem seus limites.
Tem um aparelho caríssimo usado nos estúdios americanos, que analisa o deslocamento do ar e a resposta
da sala toda hora. Mas quando a porta do estúdio é aberta ou fechada ou entra e sai pessoas,
ele recalcula a curva de resposta da sala e mexe mecanicamente nos refletores ou abafadores necessários que são móveis nas paredes. Isso sim é chegar próximo da perfeição.

 

E COMO SEI QUE O MEU PROJETO ACÚSTICO É BOM?

Irei citar basicamente apenas os 2 tipos mais conhecidos:
1- Para estúdios, aonde o projeto deve ser feito para que o som seja o mesmo, em toda a sala.
Coloque para tocar um som que tenha todas as frequências e ande pelo estúdio.
Se em todos os cantos o som for igual, parabéns. O projeto funciona.
Agora, se um canto destacar uma determinada frequência… Falha de projeto acústico !!!
Já entrei em estúdios caros e o erro era FATAL e não precisava andar muito.
2- Projeto acústico para grandes locais, que são apenas para evitar reverberações e ecos.
Esse basta ouvir a voz com delay ou repetições que já lhe dão a sentença final.

MIXAR E AGRADAR, TER OU NÃO TER, EIS A QUESTÃO

No meu estúdio tenho 2 sistemas de monitoração, alta e baixa potência.
No de alta potência, optei pelo Sony FST-SH2000 Genezis que não se fabrica mais esse padrão.
É uma solução completa, pois tem Subwoofers de 15 polegadas (38cm) para os graves,
Woofers de 20cm para os médios e o Tweeter tipo corneta de 4cm para os agudos.
A potência tem 1500 Wts RMS com o crossover ativo.
E no de baixa potência, que são as caixas que uso no dia a dia, é um par de JBL CONTROL ONE.
A qual sou apaixonado pela clareza dos seus pequenos e puros graves e agudos.
Ou seja, o certo é todo o estúdio ter caixas que tocam todas as frequências numa ótima potência e qualidade.
Mas com função de apenas agradar aos ouvidos e clientes. Mas para agradar, dificilmente mixar.

VOU DEIXAR AQUI UMA DICA SOBRE A PULSAÇÃO DOS GRAVES
PARA QUEM TEM CAIXAS ACIMA DE 12″ OU SUB NO ESTÚDIO

Já trabalhei num estúdio que tinha caixas graves, um belo dia o computador parou de funcionar.
Abri ele e todas as memórias que estavam em soquetes haviam saído do lugar.
Ou seja, cuidado, o grave é um martelo, principalmente na CABEÇA DO SEU HARD DISC, OU HD !!!!
Por isso é comum o estúdio perder o seu HD. É nessa hora que os backups salvam a pátria.
Então, gravou, editou e limpou… BACKUP!!! E O SEU HD USB mesmo desligado BATE !!! Cuidado !!!
E na hora de gravar a voz, evite usar a pontência alta nos alto-falantes graves.
Pois o BUM BUM gerado pelo deslocamento do ar, baterá nas paredes e passará para o microfone.
E na sua mix, o BUM BUM depois fará parte, mesmo com o corte de 80hz ou mais ligado, pois como o grave mexeu com as paredes, e novas frequências e mais agudas nasceram.
Depois não reclame que usou Neumman e o som final é de “CHURE do Paraguay”.

 

CAPTAÇÃO DE AR = MICROFONES

No caso da captação do som ou deslocamento do ar, quanto maior a cápsula, maior a área de captação de ar
e mais grave ele deve captar. Mas se a qualidade for baixa, isso será mortífero para os agudos.
O inverso também acontece, quando menor a cápsula, mais agudo o microfone deverá captar.
E vamos lembrar que o agudo também só precisa de pouca potência para ser captado.
Se o agudo for mal captado, teremos uma baita dor de cabeça pelo fato do som ficar sem nenhuma dicção ou definição. Pois estaremos forçando o nossa cabeça a tentar decifrar o som.
Por isso que microfones que captam graves e agudos na mesma intensidade são tão caros.
Então é comum hoje com o barateamento dos microfones, termos mais de um microfone na tomada principal.

CONCLUSÃO

Espero ter lhe passado um básico da mecânica por trás dos alto-falantes e microfones.
Mas tem muita gente que apesar de trabalhar com áudio, não tem a ideia de que está fazendo.
Apenas ouvem sem perceber que é apenas deslocamento mecânico do ar.
E a maioria acha que os ouvidos tem todas as respostas.
E quando o som está ruim, só mexem no compressor, equalizador, mudam o microfone…
Mas muitas vezes a resposta para se ter o som perfeito, pode estar está num simples pedaço de cortina
todo amarrotado, com 2.23×2,762 mts a um peso de 3,127 kg, colocado a 5,756 mts de distância e a
0,875 metro de chão, levemente ao lado direito da vidraça e deixando a porta semi-aberta no angulo de 37,5 graus.

Um grande abraço.
Netto

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